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Retalhos: Uma viagem na vida de Thompson

Faz pouco tempo que descobri o incrível mundo das Graphic Novels. Antes de conhecer a riqueza do formato, só havia me aventurado por gibis e mangás na época de infância e pré-adolescência. Minha primeira e encantadora experiência foi com Persépolis, que já comentei por aqui. Depois de descobri este mundo novo, caí de cabeça nos riscos de Craig Thompson em Retalhos, uma novela autobiográfica que passeia por sua história de vida e aborda a influência da religião. A obra foi publicada aqui no Brasil pela editora Quadrinhos na Cia, do Grupo Companhia das Letras.

Em Retalhos, Thompsom retrata sua própria história, da infância até o início da vida adulta, retalhos-minha-vida-literarianuma cidadezinha de Wisconsin, no centro dos Estados Unidos, que parece estar sempre coberta pela neve.  Por meio das incríveis e divertidas ilustrações, conseguimos ver como seu crescimento é marcado pelo temor a Deus – transmitido por sua família, seu colégio, seu pastor e as trágicas passagens bíblicas que lê -, que se interpõe contra seus desejos, como o de se expressar pelo desenho.

Pessoalmente adoro obras polêmicas e que tem a capacidade de nos tirar da zona de conforto, além de propor reflexões e indagações do que nos é passado através da cultura enraizada. Com Thompson, não foi diferente, desde pequeno a religião foi imposta como verdade absoluta, não sobrando espaço para criar o seu próprio senso crítico e fé. Muitas vezes, no meio das dificuldades por ser um pouco diferente dos garotos da sua sala e por sua família ter poucos recursos financeiros, a fé cristã foi o que mantinha Craig em pé.

Outra válvula de escape era seus desenhos. Quando o mundo mostrava-se cruel, Thompson dedicava horas em seus desenhos, algumas vezes até acompanhado de seu irmão pequeno. Conforme suas habilidades se aperfeiçoavam, junto com sua fé, Craig começa a perceber que alguns pontos de sua vida não eram compatíveis com sua fé, o que o leva a ter que escolher entre a vida cristã e quem ele realmente é.

Um ponto positivo e extremamente relevante para se comentar sobre a obra de Thompson, é a capacidade de abordar temas pesados com leveza e até um tiquinho de senso de humor. Uma obra que tinha tudo para ser pesada, o autor conseguiu criar um texto leve, curioso e interessante, mantendo a todo momento a curiosidade do leitor para descobrir o desfecho de toda a história.

Após este mergulho em sua vida, que Thompson nos proporcionou, só tenho um comentário a fazer: Obrigada Craig Thompson por não ter desistido de desenhar.